Em Mato Grosso, etnia Xavante busca autonomia econômica com Projeto Aldeia Sustentável

Em Mato Grosso, etnia Xavante busca autonomia econômica com Projeto Aldeia Sustentável

Com o objetivo de garantir a autonomia econômica, alimentar e cultural na aldeia Belém, a etnia Xavante deu início ao Projeto Aldeia Sustentável A’uwë Uptabi, que significa povo verdadeiro no idioma Xavante. O projeto piloto implantado na comunidade indígena visa retomar as práticas tradicionais de cultivo, o uso de queimadas controladas, a coleta de frutos e sementes e os hábitos alimentares tradicionais. Desenvolvida desde dezembro de 2020 na aldeia Belém, a iniciativa será replicada nas outras 15 aldeias da Terra Indígena Pimentel Barbosa, localizada no leste do Mato Grosso.

Três unidades descentralizadas da Fundação Nacional do Índio (Funai) apoiam a iniciativa: as Coordenações Regionais de Cuiabá, Ribeirão Cascalheira e do Xingu, bem como a Coordenação-Geral de Etnodesenvolvimento (CGETNO). A Funai acompanha a elaboração do projeto desde o início, com participação nas visitas e reuniões técnicas. Sob gestão do Instituto Kurâdomôdo de Cultura Sustentável, o projeto também conta com suporte do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e Prefeitura de Canarana (MT).

O cacique Paulo César Tsere’urã, da aldeia Belém, reitera o objetivo sustentável do projeto por meio da recuperação de áreas degradadas na Terra Indígena. “Coloco nessa questão do projeto o reflorestamento com frutas nativas e a presença de várias entidades que estão presentes junto com a gente. Precisamos de apoio de entidades que estejam vendo a nossa necessidade de favorecer a nossa natureza, que está desaparecendo. E para ver a nossa realidade que estamos lutando pelo que nós já perdemos e que dependiam os nossos ancestrais”, pontua o cacique.

“Esse projeto foi provocado pelo próprio cacique para que eles pudessem usar melhor as terras abertas [para cultivo] sem precisar fazer abertura de novas terras e, ao mesmo tempo, para que eles pudessem ter a sustentabilidade alimentar e nutricional para a comunidade indígena. É um projeto que foi desenhado com muitas mãos e com total apoio da Funai. Já estamos no quarto mês com a produção de agrofloresta, agricultura e, o mais interessante, a oportunidade de termos o inventário do carbono por queimadas evitadas”, relata a diretora do Instituto Kurâdomôdo, Cleide Regina de Arruda.

O coordenador regional da Funai em Ribeirão Cascalheira (MT), Jussielson Gonçalves Silva, destaca a importância da parceria entre a fundação e o Instituto Kurâdomôdo. “Por meio desse projeto a comunidade indígena vai em busca de sua autossuficiência para que possa viver plenamente. Fico feliz de estar à frente da Funai aqui em Ribeirão Cascalheira participando de sua elaboração e implementação. Para mim é uma gratidão fenomenal. Esperamos que a gente possa fazer outros projetos semelhantes para outras aldeias”, afirma Gonçalves.

*Com informações da Coordenação Regional Ribeirão Cascalheira

admin